Novembro Azul: tudo o que você deve saber sobre o Câncer de Próstata

Novembro Azul: tudo o que você deve saber sobre o Câncer de Próstata

Para quem prefere o conteúdo escrito:

Olá, pessoal! Sou Paulo Vinícius Lopes, urologista do Hospital Santa Rita e titular da Sociedade Brasileira de Urologia. Estou aqui para enfatizar a importância da campanha de Novembro Azul, que é dedicada ao diagnóstico precoce do câncer de próstata.

 

Primeiramente, é importante saber que a próstata é uma glândula localizada logo abaixo da bexiga e tem relevância reprodutiva, atuando na constituição do sêmen e também tem uma importante participação no aparelho urinário, já que forma a porção inicial da uretra, que é o órgão responsável por transportar a urina da bexiga até o meio externo.

 

Portanto, doenças prostáticas podem ocasionar dificuldades miccionais. Além disso, a próstata apresenta grande proximidade com estruturas responsáveis pelo controle urinário e pela ereção, que justifica a incontinência urinária e a disfunção erétil que alguns pacientes apresentam após determinados tipos de tratamento para doenças prostáticas.

 

Existem diversas doenças que podem acometer a próstata: inflamatórias, infecciosas, neoplásicas benignas e malignas. Hoje vou enfatizar as duas principais que são hiperplasia prostática benigna e o câncer de próstata.

Hiperplasia Prostática Benigna: tipos e sintomas

A hiperplasia prostática benigna é uma doença relacionada ao envelhecimento masculino, ela não constitui fator de risco para o câncer de próstata e sua importância se deve principalmente à piora da qualidade de vida aos pacientes que a apresentam.

 

Dividimos os sintomas da HPB em três tipos: de esvaziamento, armazenamento e pós-miccionais.

 

Os sintomas de esvaziamento são: o jato fraco, esforço miccionais e a dificuldade de se iniciar a micção.

Já os sintomas de armazenamento são: frequência urinária noturna aumentada e a urgência, que é o forte desejo de urinar.

Por sim, os sintomas pós-miccionais são: o gotejamento pós-miccional e a sensação de esvaziamento incompleto.

 

O tratamento da HPB varia desde de medicamentos até cirurgias, sejam elas endoscópicas, convencionais por incisão, laparoscópicas ou robóticas.

Câncer de Próstata: fatores de risco, sintomas e detecção

Com relação ao câncer de próstata, sabemos que é o alcance masculino mais frequente, quando excluímos os cânceres de pele do tipo não-melanoma. Há dados que comprovam que 1 a cada 7 homens apresentará câncer de próstata.

 

Quando a doença é diagnosticada em fases iniciais, as chances de cura se aproximam de 90%. Com o advento do exame de PSA, houve uma maior facilidade no diagnóstico da doença, que tem refletido em menores taxas de mortalidade.

 

Porém, infelizmente, ainda hoje cerca de 25% dos cânceres de próstata são diagnosticados em fases avançadas, comprometendo o êxito do tratamento curativo.

 

Neste ano, a pandemia por COVID-19 certamente prejudicou o diagnóstico de vários pacientes com câncer, e a real admissão desses efeitos negativos só teremos nos próximos anos.

 

Em relação aos sintomas, o câncer de próstata em fases iniciais é geralmente assintomático, já que a doença se desenvolve na periferia da glândula. Quando apresenta sintomas, cerca de 95% dos pacientes já apresenta a doença avançada.

 

Quanto aos fatores de risco, destacam-se: o aumento da idade, a história familiar, a raça negra, a obesidade e os hábitos de vida.

 

Em relação à história familiar, quando mais parentes de 1º grau com câncer de próstata, maiores as chances de se desenvolver a doença. Já a população negra apresenta tanto a maior incidência, quanto a doença de maior gravidade. As causas ainda são incertas, mas podem inclusive refletir à falta de acesso precoce ao sistema de saúde para essa população.

 

A obesidade e o tabagismo por sua vez, que são hábitos de vida, são associados ao câncer de maior gravidade e com maiores taxas de recorrência.

 

Para se diagnosticar o câncer de próstata, deve-se basear na história clínica do paciente e no exame físico clínico que inclui toque retal e o PSA.

 

O toque real tem importância porque cerca de 20% dos cânceres próstata não alteram os níveis de PSA. Além disso, quando se tem o PSA elevado, o toque real aumenta a acurácia de se diagnosticar a doença.

 

O PSA é uma glicoproteína produzida na próstata que auxilia na liquefação do sêmen. Existem diversas condições que influenciam nos níveis de PSA, entre elas, o câncer de próstata. Em geral, quanto maiores os níveis de PSA, maiores as chances de se diagnosticar um câncer de próstata.

 

Então, quando há suspeitas de câncer de próstata, deve-se realizar uma biópsia prostática para se confirmar o diagnóstico da doença. A ressonância nuclear magnética tem ganhado cada vez mais espaço como um exame a ser realizado antes da biópsia, tanto para predizer as chances de câncer, quanto para guiar a biópsia prostática.

Conclusão

Por fim, é importante lembrar que o tratamento do câncer de próstata é multidisciplinar, envolvendo urologista, radioterapeuta, oncologista, fisioterapeuta, entre outros profissionais.

 

Como o câncer de próstata é uma doença heterogênea, cada paciente exigirá um tratamento individualizado. Tradicionalmente, para os pacientes com doença localizada, pode se oferecer, como forma de tratamento, a vigilância ativa, em que o paciente é colocado em protocolo rigoroso de acompanhamento da doença; a radioterapia, que pode ou não ser associada aos bloqueios hormonais; e a cirurgia, que pode ser convencional, laparoscópica ou com o auxílio de plataformas robóticas.

 

Já em fases mais avançadas, ganha-se espaço a radioterapia associada com hormonioterapia, a quimioterapia e medicamentos que auxiliam no controle da doença e na qualidade de vida.

 

Enfim, a mensagem final que Sociedade Brasileira de Oncologia deixa para vocês, é que todo homem com mais de 50 anos deve procurar o seu urologia para ser aconselhado e fazer o rastreamento para o câncer de próstata com o toque real e PSA anualmente.

 

Caso seja negro, obeso ou com histórico familiar de câncer de próstata ou mama, o rastreamento deve ser iniciado aos 45 anos. Muito obrigado pela atenção e a equipe de urologia do Hospital Santa Rita está à disposição de vocês!